Última actualización: fevereiro de 2020

O golpe e a posterior invasão são uma parte importante da História da Casa Nuvem, cujas consequências ainda continuam.

 

Ainda somos réus no processo iniciado pelos proprietários do imóvel para nos obrigar a pagar a dívida que Indianara criou no nosso nome. Essa dívida hoje 14 de fevereiro de 2020 é estimada em 185.573,00 reais e continua aumentando 1% ao mês.  É importante salientar que, mesmo que Indianara tenha assumido publicamente que é a responsável pela dívida, a justiça considera que a dívida é dos cinco réus (os dois locatários, os dois fiadores e Indianara).

Com o intuito de parar o aumento da dívida, os fiadores e locatários, solicitamos em novembro de 2019 uma audiência de conciliação que esperamos aconteça em breve. O objetivo dessa audiência é que Indianara possa fazer uma proposta económica aos donos do imóvel que possibilite o fechamento do processo evitando que a dívida engorde ainda mais. 

Breve histórico

Com o texto a seguir, tentamos fazer um resumo dos acontecimentos desde o momento do início do golpe, dezembro de 2015. info mais detalhada

Em dezembro de 2015, Indianare Siqueira, referência do movimento trans no Rio de Janeiro e companheira nossa da Casa Nuvem desde junho de 2014, começou uma luta pelo nosso território usando a transfobia como arma. Foi subindo o tom das ameaças nos canais de comunicação interna, publicou posts públicos difamatórios contra as suas companheiras e, em meados de janeiro de 2016, se colocou numa postura de guerra irredutível. Cortou totalmente a comunicação com as pessoas da Nuvem, mas, ao mesmo tempo, continuou usando a casa para dormir, fazer festas, encontros e reuniões. Isto é, ocupou a casa enquanto ainda estávamos dentro.

No dia 12 de janeiro de 2016, Indianara enviou mais uma mensagem de ódio ao nosso grupo de Whatsapp:

"Sim, vou usar o espaço e não pagarei nada por isso. Vcs não podem pagar!?! Deixem que eu pago. Mas me liberem o espaço de vocês: Pessoas cisgeneras nojentas que eu pisarei a fundo. Que os cisgeneres sejam agora escravos de pessoas trans. Ah... E não falem comigo. Só MSG e texto. Obrigada."

Pouco depois, no 5 de fevereiro de 2016, durante o Carnaval, houve uma briga entre duas mulheres trans e um homem que foi aproveitada por Indianara para criar a campanha de escracho e boicote “Sangue nas Nuvens” com o objetivo de prejudicar o bar da Casa Nuvem que era nossa principal fonte de renda, fragilizar o grupo, criar racha e apropriar-se do imóvel. 

 

Pouco depois, no dia 28 de fevereiro Indianara declarou publicamente a invasão da Casa e o nascimento da Casa Nem como espaço de acolhimento de pessoas trans sem teto. O golpe e a invasão da Casa Nuvem, um espaço LGBT do Rio, gerido por uma assembleia de pessoas que, na sua maioria, eram LGBT, foi perversamente disfarçado como a "liberação de um espaço transfóbico”; houve uma campanha pesada de difamação, ameaças de morte e a apropriação - não só da nossa casa - mas de grande parte dos nossos pertences.  Um espaço de ativismo político e cultural da cidade foi violentado brutalmente mas as centenas de pessoas que faziam parte da Nuvem ampliada ficaram em silêncio por que, se reagirem, seriam atacadas com a escusa da transfobia. Por diferentes motivos, a assembleia da Casa Nuvem decidiu não travar batalha, não ligou para a polícia e se viu coagida a entregar o espaço e a confiar na palavra de Indianara que se comprometeu em assumir o contrato de aluguel do imóvel até o dia 5 de maio de 2016. Para evitar mais ataques nas redes sociais e facilitar a rápida transferência do contrato, as pessoas da Casa ficaram em silêncio.

5 de maio de 2016. A data combinada para transferência de contrato chegou sem nenhum tipo de comunicação com Indianara. Rumores de que alguém tinha conversado com alguém que, de repente, estaria interessada em assumir o contrato de aluguel, chegaram a traves da pessoa que tinha se oferecido como mediadora.

​No dia 15 de setembro de 2016, após meses ouvindo rumores e esperando reuniões que nunca aconteciam, decidimos nos liberar do silêncio usando as redes. Este foi o primeiro post do #liberanuvem.     O #liberanuvem tinha o objetivo de fazer pressão para a transferência do contrato de aluguel ou a saída do imóvel. O #liberanuvem dava informações sobre o golpe, denunciava a dívida que estava sendo gerada pela Casa Nem em nome das pessoas da Nuvem que tinham seus nomes no contrato, e informava que os donos do imóvel iriam iniciar um processo de despejo.  Como consequência dessa pressão, em novembro de 2016, foi realizado um novo acordo pelo qual Indianara sairia da casa até o dia 5 de fevereiro de 2017. Paralelamente, um crowfunding foi lançado para pagar as dívidas geradas pela Casa Nem (uns 30.000 reais na época). 

No dia 5 de fevereiro de 2017 Indianare não liberou a casa como tinha sido acordado. A ocupação se manteve e os aluguéis voltaram a não ser pagos aumentando a dívida no nome das pessoas da Nuvem. As mensalidades sem pagar foram, desde o inicio, usadas como um dispositivo de pressão e de coação para manter o silêncio. Se a gente reagia públicamente a mensalidade poderia não ser paga, se a gente calava a nossa responsabilidade legal sobre o espaço invadido continuaria. 

 

Também em fevereiro de 2017, o processo de despejo dos donos do imóvel contra os locatários da Nuvem foi iniciado. Com o intuito de acelerar o processo no judiciário, assim que tivemos a oportunidade, enviamos ao juiz uma aceitação desse despejo.

Em julho de 2017, com uma dívida acumulada de R$ 56.926,9 e como medida de pressão, reativamos a denúncia contra Indianare perante o PSOL. A Casa Nuvem foi um lugar apartidário que após a invasão passou a ser sede de campanha de candidatura, sede de reuniões do partido, sede de uma pessoa que se apresentava publicamente como vereadora suplente do partido. O diretório municipal do PSOL do Rio de Janeiro enviou uma nota de advertencia a Indianara pedindo para ela pagar as dívidas e assumir o contrato ou liberar o imóvel. A resposta de Indianare foi atacar o PSOL nas redes. Acreditamos que foi nesse momento, perante a constatação de que não existiria diálogo nem mediação possível com Indianara, que o caso passou à Comissão Nacional de Ética do partido.

 

Paralelamente, em agosto de 2017 e, perante a possibilidade iminente de despejo, Indianare entrou no processo aberto pelos donos do imóvel contra locatários e fiadores como locatária de fato. A entrada de Indianare no processo teve duas consequências:

1. por um lado, e pela primeira vez, Indianare aceitava publicamente ser responsável pela dívida. O Juiz aceitou e incluiu Indianara como quinta réu (junto com os dos dois locatarios e e os dois avalistas).

2. por outro lado, sua entrada provocava um atraso no processo de despejo. De fato, o despejo demorou mais um ano e meio a ser efetivado ultrapassando os 200.000 reais de dívida. Para as pessoas que tínhamos nossos nomes no contrato de aluguel era preferível um despejo rápido com toda a dívida sob a nossa responsabilidade), que o atraso do despejo com uma dívida muito maior compartilhada com Indianare como quinta réu.

13 de setembro de 2018: um grupo de pessoas que eram da Casa Nuvem fizeram um leilão de obras de arte no Parque Lage. Arrecadaram 45.000 reais que, junto com mais 16.000, foram depositados na conta do processo diminuindo a dívida.

No 5 de dezembro de 2018 o despejo acabou acontecendo. 

Em abril de 2019, a executiva nacional do PSOL formada por 61 pessoas aprovou por unanimidade (com uma abstenção) a expulsão de Indianare Siqueira do partido. Para tomar sua decisão, a executiva tomou em consideração o parecer da Comissão de Ética do PSO e as próprias declarações públicas de Indianare recolhidas em posts e videos falando da "ocupação" do nosso espaço e da nossa expulsão. Ver um dos videos aqui.

Em fevereiro de 2020 continuamos esperando nos liberarmos da dívida criada por Indianara no nosso nome. Devido a acumulação dos juros, a dívida voltou a aumentar e está agora em aproximadamente 180.000 reais.

  "Foi uma agressão premeditada que fez uso do transfeminismo para se legitimar. Foi uma violência perversa e covarde porque não deixava nenhuma opção de      resposta: “nós vamos ficar violentando tua vida e toda tentativa de vc reagir, toda resposta será denunciada como transfobia.” 

SOBRE O GOLPE

DENUNCIA COMITE ETICA PSOL

 

OUTRAS INFORMAÇÕES