​Última atualização janeiro de 2022

A Casa Nuvem parou suas atividades em março de 2016 a causa de um processo de assédio moral grupal iniciado em novembro de 2015 e que desbordou-se às redes em fevereiro de 2016 configurando um linchamento virtual que  levou  às pessoas da Nuvem a "ceder" sua casa e a guardar silêncio. O assédio ainda continua ativo pois para habitar com segurança certos ambientes académicos, ativistas e  culturais no Brasil existe uma pressão para a "aceitação" e o silenciamento dos fatos acontecidos. 

 

Abaixo respondemos algumas das perguntas e comentários mais frequentes sobre este caso.

Outras fontes de informação:

Respondendo a algumas perguntas e comentários 

“Como foi possível a apropriação na marra de um espaço de arte e ativismo político que acolhia tantas pessoas e projetos, por que vocês não chamaram à policia"?

Só a existência de um mobbing (assédio moral grupal) que iniciou-se em dezembro de 2015 e desbordou-se às redes configurando um processo de linchamento virtual dois meses depois, explica o roubo do espaço Casa Nuvem, e o silêncio e a falta de denuncia na policia. A  truculência, a irracionalidade da situação e o medo bloqueou o espírito crítico e provocou fortes sentimentos de confusão, paralisia e uma sensação de falta de opções de fuga. Num processo de assédio, quando o entorno não é capaz de reagir e apoiar às vítimas, a submissão parece ser a única solução possível. A unica manera de diminuir às ameaças e a enxurrada de humilhações e difamações que se produziram nas redes sociais parecia ser a "cessão" do espaço. Mais info sobre o processo e a dinámica de assédio moral aqui. 

É isso aconteceu pela participação de muitos colaboradores, algúns deles pessoas muito proximas, que colaboraram com o grupo instigador do assédio nas dinámicas de descrédito, humilhação e culpabilização das vitimas. Algumas colaboraram no com grande entusiasmo e outras de maneira mais tácita.

 

Também houve a cumpricidade das centenas de pessoas que usufruiram a Casa Nuvem como seu espaço de socialização, lazer, trabalho e ativismo que observaram o que estava acontecendo mas se afastaram para não se "contaminar". "São as "testemunhas silenciosas". Nos casos de assédio moral, mostrar solidariedade com as vítimas frequentemente significa significa virar uma delas. O medo foi maior do que o desejo de ajudar e assim criou-se um ambiente de insensibilidade à brutalidade dos fatos acontecidos e às violências psicológicas, emocionais e patrimoniais que seguiram.

Outra razão que posibilitou o golpe é que existe um grande desconhecimento de como opera a violência psicológica, suas formas, dinámicas e  consequências, e uma grande dificuldade para as vítimas se reconhecerem como tais. 

 

Assediadores morais seriais são muito mais frequentes do que pensamos em espaços ativistas: partidos, sindicatos, associações, É muito importante saber identificá-los, não só para nos defendermos deles, se for o caso, mas também para não nos tornarmos seus colaboradores. Ver aqui ko perfil de uma pessoa assediadora serial

Por qué falamos de assédio moral?

O assédio ocorre quando de maneira repetida se direciona uma enxurrada de ações sociais negativas contra uma pessoa - ou um grupo de pessoas para criar um ambiente humilhante, degradante, constrangedor, desestabilizador e hostil contra elas.

 

Podes identificar um assédio quando há um lançamento continuo e insistente de suspeitas, insinuações, boatos e mentiras em público e em privado; um uso ostensivo, seletivo e instrumental da indignação;  burlas,  humilhações e tentativas de gerar indiferença ao sofrimento inflingido. Em assédios mais pesados, como o que aconteceu contra a Casa Nuvem, podem também existir ameaças e uso das redes sociais como ferramenta de exposição pública ao escárnio.

 

O "stonewalling" ou muro de silêncio pelo qual quem assedia corta de maneira abrupta e radical a comunicação com a pessoa ou grupo assediado é a primeira sinal de que um caso de assédio está acontecendo.

Num assédio, a pessoa que assedia se coloca como promotora, juíza e algoz deixando às vítimas sem possibilidade de fuga. "Elas "devem ‘aceitar’ provocações, gozações, desqualificações e ridicularizações sem reclamar ou questionar.” (Barreto, 2005).

O objetivo de um assédio é levar às vitimas à auto-anulação e à desistência. Desistência da própria autonomia no caso de assédio na familia, desistência de um trabalho no caso de um assédio laboral, ou a desistência de um espaço físico ou simbólico como foi o nosso caso. 

"O assédio moral busca a submissão forçada das vítimas. Pessoas assediadas se sentem à mercê da vontade do instigador". (Hirigoyen, 2014). 

“Houve transfobia no espaço e isso teria motivado a ocupação e a criação da Casa Nem” 

A transfobia é estrutural na sociedade mas, a Casa Nuvem não era nem mais nem menos transfóbica, que qualquer outro espaço LGTBI do Brasil. 

 

No caso da Casa Nuvem, a transfobia foi usada como um dispositivo de extorsão para a apropriação do espaço físico e simbólico. O uso banal da transfobia desviou a atenção das dinámicas de assédio que estavam ocorrendo e garantiu a impunidade a traves do silenciamento.

Num processo de assédio é muito comum o uso de palavras "talisma". Estas palavras, no caso a "transfobia", ajudam ao grupo agressor a reforçar o fenômeno de transferência pelo qual a culpa da agressão é transferida à vítima ate o ponto de que ela mesma chega a duvidar de sim própria e a introjetar a culpabilidade. "A vítima, imersa em dúvidas e culpa, não consegue reagir". 

“Sabemos que os Nuvens foram postos pra correr de lá depois do descaso transfóbico a uma pessoa trans em suas festas. Papo de agressão física, teve sangue no chão e os Nuvens optaram por seguir o baile (...)”. 

 

"No assédio midiático se acostuma a preparar uma encenação para punir a vítima e prejudicar sua imagem pública. É um castigo e execução extrajudicial que não dá opção à inocência ou outra versão que não seja a do instigador do linchamento. Emseguida, a condenação pública se manifesta confundindo o justo com o justiceiro". (Marina Parés Soliva)

 

No nosso caso, o grupo assediador criou uma campanha midiática que transmitia com muito dramatismo que uma mulher trans teria sofrido uma agressão que fez ela sangrar e, enquanto a mulher sangrava, "as pessoas da Casa Nuvem só se preocuparam em seguir a festa". A realidade do que aconteceu foi muito diferente e é explicada aqui. 

 

A campanha de escracho e boicote á Casa Nuvem  incluía vídeos, dezenas de posts e memes como "Sangue nas Nuvens" ou "Na nuvem a purpurina virou sangue". 

 

“Para justificar o descrédito público da vítima, previamente, o instigador deve inventar um subterfúgio que choca o público e o confunde através de um escândalo para posteriormente obter o apoio do cidadão para a campanha pública de descrédito e humilhação e assim deixar a vítima sem apoio”. (Marina Parés Soliva, “O assédio na mídia”).

 

É muito importante saber identificar um assédio moral para evitar convertir-se em colaborador dele. Antes de apoiar uma denúncia nas redes, verifique os fatos, aprenda a distinguir entre uma campanha de denúncia genuína e uma campanha em que a denúncia é usada como desculpa para justificar um assédio.

“Se não foi como resposta à transfobia, por que se invadiu a Nuvem?”

A invasão teve um motivo prático: Indianara Siqueira e o outras pessoas do projeto Prepara Nem levavam algumas semanas  procurando um espaço para o projeto.

O desejo de se apropriar da Casa Nuvem fica evidente neste trecho do depoimento na Comissão de ética do Psol falado pela pessoa que iniciou a briga que serviria como justificativa à invassão da Casa (página 31) explica o seguinte:

Eu e a Dani ficamos pensando (…) como a gente pode fazer com que o Prepara Nem conseguisse ter um espaço. E aí eu fiquei pensando muito em porque não ser alí naquele espaço? (…) ainda assim outras casas estavam sendo procuradas”.

“Do encontro com a Casa Nuvem afirma que pode “perceber que eu estava dentro de um espaço onde eu encontrei amor, que é uma coisa muito dificil da nossa vida. E daí, começou a surgir sonhos e vontade de realmente poder ter um espaço. Por que não poder ter o espaço?”.

Esse desejo de apropriação fica também muito claro neste zap que Indianara enviou ao grupo da Nuvem no dia 14 de janeiro, um mês e meio antes da invasão:

“(...)me liberem o espaço de vocês: Pessoas cisgêneras nojentas que eu pisarei a fundo. Que os cisgeneres sejam agora escravos de pessoas trans. (...).”  Ver registro na página 19 aqui. 

"Acha que a expulsão de Indianara do PSOL foi feita de maneira justa?"

Existiam tantos registros públicos de Indianara se orgulhando com deboche de haver invadido a Casa Nuvem, que nem precisava de todo um longo processo da Comissão de Ética do PSOL para expulsá-la.  A expulsão deveria haver sido imediata no momento em que o partido recebeu e veriuficou esses registros. Mas o longo trabalho da comissão de ética foi importante pois reuniu de maneira sistematica os depoimentos de 13 pessoas (metade deles de testemunhas chamadas por Indianara) e centenas de  páginas de materiais que nos servem como registro formal dos fatos acontecidos. O trabalho da comissão também serviu para o PSOL poder afrontar o comportamento fascistóide de algumas pessoas do partido que estavam usando táticas de assédio moral de maneira recorrente como arma para ganhar espaços de poder. 

“Indianare também diz que houve transfobia no processo de expulsão do PSOL por associarem sempre a imagem da travesti como violenta, marginal. (…) Há alguma autocrítica nesse sentido? 

A imagem dela está associada à violência porque Indianara usou e usa a violência de manera recorrente, pública e notória como via para conseguir diversos objetivos: admiração das pessoas que confundem agressividade com radicalidade, espaços de poder, etc. Há dezenas de registros públicos em forma de posts e videos com ameaças truculentas e videos onde se orgulha publicamente e com deboche de haver invadido e expulsado pessoas do seu espaço.

Para pessoas com trajetórias de vida forjadas na necessidade de sobrevivência há momentos onde a violência pode ser uma ferramenta de autodefensa, mas Indianara a usou contra suas próprias companheiras de casa e de partido como ferramenta de coação, extorsão e silenciamento. 

Na expulsão de Indianara do PSOL não pesou a transfobia, pesou o comportamento fascistoide de pessoas que se achavam com o direito de apontar, julgar, condenar, castigar e violentar outras pessoas para obter beneficios pessoais e políticos.

A ocupação da Casa Nuvem levou a criação da Casa Nem. O que vocês achavam da Casa Nem?  

O relato de que para que umas pessoas ganhem outras tem que perder, ou que para que um espaço surja outro tem que desaparecer, é um pensamento neoliberal e auto-destrutivo que foi usado de maneira naive como justificativa do processo de abuso. O direito à existência de um não deveria estar ligado á destruição do outro. Esse é um falso dilema criado para forçar um ambiente de torcida de futebol onde se uma pessoa denuncia o golpe à Casa Nuvem estaria negando a potência de projeitos como Casa Nem. No mundo real, espaços coletivos como Casas Nuvem ou Casas Nem, são fundamentais. Numa cidade com um histórico de grave carência de espaços autónomos como é o Rio, todos os espaços sociais precisam ser fortalecidos e multiplicados, nunca destruidos.  

“Por que demoraram para denunciar as agressões? "

As vítimas de abuso psicológico demoram para reagir pois precisam de tempo para entender a realidade dos fatos e superar o medo a falar.  Muitas jamais denunciam ou denunciam depois de alguns anos. No nosso caso, demoramos sete meses para realizar a primeira denuncia nas redes (setembro 2016) e a denuncia ao PSOL (novembro 2016). 

 

Mas ainda hoje as pessoas ficam caladas para poderem habitar com tranquilidade os espaços físicos, festivos, políticos e acadêmicos que compartilham com pessoas que formaram parte ativa do processo de assédio moral grupal. E quem ousou denunciar publicamente o assédio ainda sofre ameaças e escrachos aos seus projetos. O ultimo aconteceu em setembro de 2020 quando Marcela Camargo - acompanhada pelo artista Guerreiro do Divino Amor (!!!) - tentou escrachar um evento organizado em Genebra por dois dos fundadores da Casa Nuvem com um autofalante e uma gravação onde indianara lhes acusava de serem transfobicos, racistas e ultradireitistas (sempre a mesma tática).

“Não cabe a uma instância partidária pautar os movimentos sociais (...) Era como se o PSOL Carioca chegasse pro MST e sugerisse que entregassem suas ocupações urbanas pros proprietários, na melhor boa vontade legalista de sempre.”

Este foi um dos comentários mais surreais que ouvimos. Nenhúm movimento de ocupação ocuparia um espaço habitado e ainda menos um espaço que era Ponto de Cultura Viva e lugar de encontro da galera LGBTI do Rio, dos Pontos de cultura da rede estadual, do GTs Pesquisa Viva, encontros do Foro de Dança, dos cicloativistas, dos midiativistas, etc.

“Pelo que eu soube, a Indianare (…) assumiu as dívidas judicialmente, é isso?” 

Não. Indianara não assumiu as dívidas judicialmente. Indianara pediu entrar no processo que os donos da casa tinham iniciado contra os locatários da Casa Nuvem com o objetivo de atrasar o despejo. Conseguiu entrar no processo e conseguiu atrasar o despejo em quase dois anos aumentando assim a dívida que chegou a ultrapassar os 200.000 reais. . Mais info sobre as dívidas criadas pela invasão da Casa Nuvem aqui.

Vocês acham que houve má fé? 

Quando a gente admira a uma pessoa a tendência é se apegar às ideias e não querer enxergar de frente os fatos. Mas houve uma teatralidade e um uso tão despudorado da mentira que não há como não enxergar a má fé. Mas foi muito difícil afrontar isso. Superar o medo, reagir e se defender implicava denunciar os fatos acontecidos e expor publicamente o lado perverso de uma pessoa que, além de haver sido a nossa parceira, tinha relevância no nosso circulo de afetos e ativismo.

O primeiro momento em que ficou claro para nós que havia má intenção foi quando, do nada, em novembro de 2015, tres meses antes da invasão, Indianara fez um post em seu perfil do facebook acusando a Casa Nuvem de ser machista e "apoiadora de agressores de mulheres".

Vale a pena se deter neste caso porque ilustra muito bem o modus operandi de fabricar e lançar acusações falsas e absurdas nas redes sociais para obter benefícios pessoais e políticos.

 

O que tinha acontecido?

A pessoa que limpava a casa da nuvem, que era sócia da casa e grande amiga de dois dos fundadores, foi agredida pelo parceiro. Ela contou às pessoas mais proximas e pediu, por favor, para não contar a mais ninguém pois ainda estava processando o acontecido. Mas Indianara, que por acaso estava na casa nuvem e acompanhou as falas em silêncio, decidiu no dia seguinte contar o caso publicamente nos seus perfis de facebook. Esse foi seu primeiro ataque público contra a Casa Nuvem nos acusando de machistas e de silenciadores de vítimas de agressão.

E isso aconteceu do nada, sem comentar nada com ninguém durante ou depois dessa reunião, sem falar com a vítima da agressão, sem lhe pedir permissão para trazer seu caso a público, sem mostrar qualquer tipo de respeito à ela. Não temos esse post registrado pois a vítima ligou para ela e pediu que ela apagasse.

Este evento foi o inicio da guerra que se prolongou durante três meses.

Foi muito surreal quando descobrimos dois anos depois, que esse foi um dos DOIS casos (junto com nosso suposto descaso frente à transfobia que ocorreu no dia 5 de fevereiro) usados como prova de que merecíamos ser invadidos perante a Comissão de Ética do Psol (que acabou expulsando ela do partido).

"O conflito entre a Nuvem e a Nem é uma guerra de narrativas"

Muitas pessoas colaboraram com o assédio moral de forma mais ou menos consciente, apresentando a agressão como se fosse um conflito onde ambas as partes teriam suas razões e suas narrativas.

 

Mas um assédio não é um conflito. Um assédio é uma agressão. Numa agressão há uma parte que agride e uma parte que é agredida.  

Conflitos e tensões são inerentes a qualquer ambiente onde as pessoas coexistam; essas tensões causam problemas e desgastes, mas não precisam atingir a magnitude e a gravidade que a figura do assédio moral acarreta.

Um conflito é um desacordo em que cada uma das partes mantém objetivos legítimos e legais, mas incompatíveis entre si. Num conflito as opiniões criticas convidam ao debate. A opinião crítica pode nos fazer sofrer, mas também nos faz refletir e, portanto, é um instrumento de melhoria. Em um conflito, portanto, há espaço para mediação. É possível estabelecer um processo no qual X e Y procuram um ponto de resolução possível.

 

No assédio não é possível mediação porque o objetivo de um dos lados é a anulação do outro. Um conflito preocupa. Um assédio atormenta, paralisa, consome, faz você desistir. É uma ferramenta de destruição psíquica

​Uma das coisas que mais ajuda as vítimas de assédio moral a superar o trauma é a formação de uma narrativa coerente que pode conter lacunas, silêncios, tensões, mas que seja verdadeira o suficiente para ajudar a superar o peso do trauma e os efeitos do gaslighting.

P𝖮𝖱 UMA VIDA LIVRE DE VIOLÊNCIAS​, A𝗣𝗥𝗘𝗡𝗗𝗘 𝗔 𝗜𝗗𝗘𝗡𝗧𝗜𝗙𝗜𝗖𝗔𝗥 O 𝗠𝗢𝗕𝗕𝗜𝗡𝗚 o Assédio moral grupal

 

É importante aprender a identificar os modos, dinâmicas, causas e efeitos que configuram um episódio de assédio moral e que SEMPRE se repetem. Isso o ajudará a se defender mas, acima de tudo, o ajudará a evitar ser instigador ou colaborador/a.

 

Um mobbing ocorre quando um grupo de pessoas de maneira repetida e sistematica direciona uma bateria de ações sociais negativas contra uma outra pessoa ou grupo de pessoas, com a intenção de levá-las à auto-anulação e a desistência (de sua autonomia, de um trabalho, de uma causa, de um espaço ou propriedade, etc.).


 

𝗢 𝗔𝗦𝗦É𝗗𝗜𝗢 𝗠𝗢𝗥𝗔𝗟 𝗣𝗢𝗗𝗘 𝗧𝗢𝗠𝗔𝗥 𝗔𝗦 𝗦𝗘𝗚𝗨𝗜𝗡𝗧𝗘𝗦 𝗙𝗢𝗥𝗠𝗔𝗦:

 

- [x] Todas as oportunidades são aproveitadas para falar mal das vítimas em público e em privado. Os erros são ampliados e os acertos são ignorados.

 

- [x] Lançamento contínuo de suspeitas, insinuações, boatos e mentiras, muitas vezes com base em fatos reais e características das vítimas que são distorcidas, ampliadas e exploradas.

 

- [x] Uso ostensivo, seletivo e instrumental da indignação e do drama.

 - [x] Criação de uma denúncia o conflito que é usado como desculpa para iniciar ou justificar o assédio.

- [x] Ataques sistemáticos à reputação, honestidade e profissionalismo das vítimas.

 

- [x] Agressões verbais, discurso ofensivo.

 

- [x] A comunicação é interrompida de maneira abrupta e radical. Tática do “stonewalling”.

 

- [x] Discurso confuso, impreciso e contraditório. Uso de falsos dilemas. Uso de "Palavras Talismã".

 

- [x] Uso repetido de ironia, sarcasmo, zombaria; uso de apelidos.

 

- [x] Provocação de sentimento de inevitabilidade e inescapabilidade. Paralização. Os assediadores fazem que as vitimas entendam que qualquer possível movimento que elas fizerem para se defender só aumentaria a intensidade do bullying.

 

- [x] Vigilância nas redes sociais e na vida pessoal e profissional das vítimas em busca de alimentos para novas agressões.

 

- [x] Uso de provocações que, quando respondidas, servirão aos agressores para se apresentarem como vítimas.

 

- [x] Messianismo. Os assediadores costumam usar um discurso moralizante e se posicionam como defensores de uma boa causa. Essa defesa de "boa causa" justificaria os danos infligidos às vítimas do bullying.

 

- [x] Qualquer outra conduta que, reiteradamente, humilhe, desrespeite e a dignidade das pessoas e que busque gerar em seu ambiente indiferença ao sofrimento devido aos danos psicológicos infligidos.

 

𝗡𝗔𝗢 𝗖𝗢𝗟𝗔𝗕𝗢𝗥𝗘 𝗖𝗢𝗠 𝗗𝗜𝗡Á𝗠𝗜𝗖𝗔𝗦 𝗗𝗘 𝗔𝗦𝗦É𝗗𝗜𝗢 𝗠𝗢𝗥𝗔𝗟

 

O mobbing só consegue se instalar a partir da colaboração ativa do que é chamado grupo de assédio mas também da colaboração tácita de outras pessoas que ajudam aos instigadores a normalizar o abuso e a transferir a culpa para as vítimas. É frequente que esses colaboradores tácitos sejam “recrutados” no círculo más próximo  das pessoas alvo.

 

O mobbing só consegue ficar no tempo com a cumplicidade das TESTEMUNHAS MUDAS que veem mas decidem desviar o olhar e permanecer em silêncio. Desta forma, toleram que os alvos de assédio fiquem indefesos e que seja possível continuar lhes agredindo à vontade.


 

C𝗢𝗠𝗢 𝗗𝗜𝗙𝗘𝗥𝗘𝗡𝗖𝗜𝗔𝗥 𝗨M 𝗖𝗢𝗡𝗙𝗟𝗜𝗖𝗧𝗢 𝗗𝗘 𝗨M ASSÉDIO

Conflitos e tensões são inerentes a qualquer ambiente onde as pessoas coexistam. Essas tensões causam problemas e desgastes, mas não precisam atingir a magnitude e a gravidade que a figura do assédio moral acarreta.

Um conflito é um desacordo em que cada uma das partes mantém objetivos legítimos e legais, mas incompatíveis entre si. Num conflito as opiniões criticas convidam ao debate. A opinião crítica pode nos fazer sofrer, mas também nos faz refletir e, portanto, é um instrumento de melhoria.

Em um conflito, portanto, há espaço para mediação. É possível estabelecer um processo no qual X e Y procuram um ponto de resolução possível.

No assédio não é possível mediação porque o objetivo de um dos lados é a anulação do outro. O assédio atormenta, paralisa, consome, faz você desistir. É uma ferramenta de destruição psíquica.

Quando o assédio é instalado, as vítimas e as pessoas que o observam acabam enredados no falso conflito e chegam a uma situação onde parece não haver saída, parece não haver outra solução senão a submissão.

Antes de apoiar uma denúncia nas redes, corrobore você mesmo os fatos, aprenda a distinguir entre uma campanha de denúncia genuína e uma campanha em que a denúncia é usada como desculpa para justificar o assédio; aprender a distinguir entre uma opinião crítica e uma agressão verbal; tenha cuidado se notar que há sinais de crueldade. Pense que em uma situação de mobbing que se espalhou para a praça pública virtual das redes, cada "curtida" tem o efeito de uma pedra atirada nas pessoa que lá estão sendo linchadas.

 

Quando um conflito degenera em assédio, a rapidez na identificação do problema e a resposta do entorno (família, amizades, colegas, chefes, autoridades institucionais, etc.) determinará sua resolução ou seu estabelecimento permanente, com o conseqüente prejuízo na saúde das pessoas alvo.

 

 

𝗔𝗦 𝗖𝗢𝗡𝗦𝗘𝗤𝗨Ê𝗡𝗖𝗜𝗔𝗦 𝗗𝗢 𝗔𝗦𝗦É𝗗𝗜𝗢

Quando o entorno não é capaz de conter os abusos e estes se prolongam no tempo, as consequências costumam ser graves.

 

 “Em geral, quando falamos em assédio moral, os problemas não são apenas aqueles gerados por agressões, perda de saúde, perda de vínculos afetivos, laborais, comunitários, e etc. - mas sobretudo, é a situação de impotência em que se encontram as pessoas alvo que as impede de reagir. Procuram explicações lógicas para os comportamentos dos abusadores, culpam-se, duvidam”. Isso cria uma situação de stresse que gera quadros de ansiedade constantes e persistentes aos quais, com o tempo, serão acrescentados sintomas depressivos, incluindo ideações suicidas. (Hirigoyen, 2014).

AS FASES DO ASSÉDIO MORAL

 

Todos os pesquisadores do fenômeno, coincidem em apontar que as fases do assédio moral se repetem de maneira surpreendente em todos os depoimentos de vítimas. É normal que as fases se sobreponham (duas fases podem acontecer ao mesmo tempo) e que o processo demore anos. 

 

1. Fase de sedução

O instigador estuda e avalia as qualidades das pessoas alvo e localiza seus pontos fracos. Ele tenta descobrir até onde sua influência e poder podem ir, e até que ponto poderá subjugá-los para atingir seu objetivo.

2. Fase de iniciação de conflito

Surge um conflito que pode ser real ou criado artificialmente. O relacionamento interpessoal, seja bom ou neutro, passa então por uma mudança negativa de maneira brusca. O conflito não é resolvido e o assédio começa. Às vezes, o tempo entre "conflito" e "assédio" é tão curto que os dois se sobrepõem. Diante das pressões iniciais do assédio psicológico, o primeiro sintoma das vítimas é a desorientação.

3. Fase de iniciação do assédio

Nesse estágio, também chamado de fase de manipulação, estigmatização ou abuso psicológico sutil, o perpetrador continua testando as águas, faz tentativas de agressão moderada e depois recua. Nesta fase, inicia-se a desestabilização dos alvos com a tática do silêncio (Stonewalling). Essa fase costuma se prolongar no tempo devido às atitudes de negação da realidade por parte das próprias vítimas, que se sentem desorientadas e não acreditam no que lhes está acontecendo.

 

Mentiras, humilhações e desprezos ocorrem repetidamente diante dos quais as vítimas esperam por um pedido de desculpas que nunca ocorre. Elas não sabem que estão sendo forçadas porque a guerra ainda não foi declarada. Elas acham que há um problema de comunicação que será resolvido conversando. Mas o perseguidor não fala, não explica, e enquanto a vítima está ocupada tentando entender o que está acontecendo, ela não percebe que, na verdade, não existe nada a entender além da existência de uma guerra soterrada e unilateral.  Mas o perseguidor irá manipular o sentimento de culpa para bloquear as vítimas psiquicamente, causando grande angústia.

 

Numa tentativa de parar a pressão, as pessoas alvo tentam establecer o dialogo e esperam que o “conflito” acabe sem chamar a atenção . Não querem fazer parte de um pulso ou julgamento público contra o assediador. 

 

É frequente que nesta fase 3 o assediador esteja, paralelamente, na fase 1 de seduzão com algumas pessoas do entorno da vitima que ele detectou como possíveis colaboradores. 

 

Ao mesmo tempo, fora do entorno das vítimas e, sempre que tem oportunidade, fala mal delas a todo mundo: atribui-lhes erros, espalha calúnias e difamações; faz circular rumores falsos e verdadeiros sobre suas vidas e comportamentos. Vai assim preparando o ambiente propicio.

 

Por sua vez, as vítimas costumam estar sujeitas ao dilema de ceder às pretensões seguramente inadmissíveis do assediador ou ter que enfrentar assédio de maior intensidade e persistência.

 

As vítimas do assédio se perguntam onde eles erraram e o que elas deveriam fazer para que o assédio cesse. Começam a refletir sobre os próprios erros e repetidamente insistem em sua análise, se colocando em um ‘impasse’ psiquico.

 

Buscam repetidamente uma forma de solucionar o problema que não prejudique seus interesses na organização ou seus trabalhos, suas vidas,.... Enquanto isso, tendem a recorrer aos seus relacionamentos mais próximos, aguardando a ajuda necessária e encontrando -normalmente- uma incompreensão do problema ou falta de contribuição na direção da resolução do mesmo. 

 

Perante as agressões as pessoas assediadas podem decidir não fazer nada com a esperança de conseguir resolver a situação em pouco tempo e da forma mais discreta possível. 

 

Ou podem reagir o que costuma levar ao confronto aberto com o assediador e com o risco implícito de que o conflito se espalhe para o resto da organizaçõ e/ou da opinião pública. 

Esta será a primeira teia de aranha em que será apanhada a pessoa ou grupo assediado, e este será um dos momentos cruciais para acabar com o assédio sem causar ainda danos de difícil reparação.


 

4. A fase de poluição do entorno

Às vezes, o conflito transcende o grupo e contamina a comunidade e é frequente que esta veja as vítimas como o problema a ser combatido e se junte ao instigador do assédio. Quando as redes sociais são utilizadas para aumentar a pressão e o descrédito, os efeitos destrutivos também aumentam.

 

“Para justificar o descrédito público da vítima, previamente, o instigador deve inventar um subterfúgio que choca o público e o confunde através de um escândalo para posteriormente obter o apoio do cidadão para a campanha pública de descrédito e humilhação e assim deixar a vítima sem apoio”. Marina Parés Soliva, “O assédio na mídia”.  Link.

 

Ao encontrar um público seduzido, colaborador e insensível à humilhação sofrida pelas vítimas, a situação se agrava.

 

Uma vez constituída a quadrilha de assédio e depois de verificada a impunidade de suas ações, devido à apatia do meio ambiente em reagir, surge um aumento da pressão de assédio contra as pessoas-alvo. Marina Parés Soliva Link

 

Segundo Marina Parés Soliva, presidenta do Serviço Europeu de Informação ao Mobbing, o assédio midiático recorre a dois atos cênicos para ter sucesso: no ato um o assediador prepara a cenografia, uma encenação para punir a vítima e prejudicar sua imagem pública. É um castigo e execução extrajudicial que não dá opção à inocência ou a outra versão que não seja a do instigador do linchamento. No segundo ato, a condenação pública se manifesta confundindo o justo com o justiceiro.

 

5. A fase de revelação 

Acontece quando as vítimas percebem o que está acontecendo e tentam dar um nome. Elas discutem isso com amigxs, familiares e colegas. As pessoas duvidam. Não pode ser. Para as pessoas externas ao processo, a  violência gratuita parece-lhes inimaginável. As vítimas também duvidam e respondem de duas maneiras: 

 

a) São submissas para evitar as consequências de enfrentar o instigador e colaboradores do assédio.

b) Se rebelam.

 

As duas posições costumam provocar uma reação de aumento da tentativa de dominação por parte do agressor. Se as pessoas alvo optarem pelo confronto, sofrerão um aumento dos ataques que serão cada vez mais agressivos se persistirem. Mas se a submissão for aceita, a violência (mesmo que soterrada) também continuará e estabelecerá um processo de dominação em que as vítimas vão perdendo gradativamente sua resistência e tendo cada vez menos chances de se opor a ela. (Hirigoyen, 1998)

 

“Assim, quando elas se tornam incapazes de reagir e se abatem, as vítimas se tornam cúmplices do que as oprime. Sem nunca haver consentimento de sua parte, mas sim uma coisificação, elas se tornaram incapazes de ter seu próprio pensamento e só podem pensar como seu agressor” (Hirigoyen, 1998).

 

A irracionalidade da situação e o medo fazem - em ambos os casos - que o espírito crítico das vítimas seja bloqueado e que haja uma sensação de falta de opções de fuga. Quando o entorno não é capaz de reagir e apoiar as vítimas, parece não haver solução possível.


 

6. Fase de afrontamento

Quando as vítimas reagem e decidem se comportar como pessoas livres e sair do processo de domínio, a inveja do instigador se transforma em ódio e desejo de destruição por ter muito medo de ser desmascarado. Nesse momento, a campanha de descrédito e culpabilização se intensifica, iniciando-se o que alguns pesquisadores também chamam de fase do psicoterror. O instigador tentará por todos os meios impedir que as pessoas alvo se rebelem, silenciar e fazer com que elas pareçam responsáveis ​​pelo que lhes acontece. Para isso, utilizará seus colaboradores, aqueles que na psicologia popular são chamados de "macacos voadores".

 

"Na medida em que, por dominação, as vítimas se mostraram muito

conciliatórias, agora tem que mudar de estratégia e agir com firmeza e sem medo do conflito. Sua determinação forçará o instigador a se desmascarar. A princípio, qualquer mudança de atitude por parte da vítima tenderá a provocar um aumento das agressões e provocações. O instigador tentará culpá-la ainda mais: (...).” (Hirigoyen, 1998)

 

Hirigoyen (1998) continua falando que a vítima deve abandonar sua posição imobilizada e tornar-se a pessoa que impede que as coisas continuem girando na mesma direção. Embora, a autora também alerte que o fato de reagir costuma colocar a pessoa alvo na origem da crise e que isso pode fazer parecer que ela é a agressora.” Mas “é preciso assumir a escolha, porque só assim poderá provocar uma mudança (...) Essa é a única forma possível de solução ou, pelo menos, de melhoria. Quanto mais essa crise demorar, mais violenta ela será”.

 

Nesta fase onde é necessário resistir psicologicamente, Hirigoyen menciona a importância de conseguir apoio, mas ressalta que esse apoio deve ser obtido com pessoas localizadas fora da área onde o processo de assédio ocorre.

 

“... não confie nos conselhos de amigos, familiares ou pessoas que tentam se colocar na posição de mediadores, pois as relações mais próximas podem não ser neutras. O círculo social também está desorientado e tende a se inclinar para um lado ou para o outro. (...) Algumas pessoas que parecem próximas se deixam manipular, desconfiam ou expressam censuras. Outros, não entendendo a situação, decidem não se intrometer.” (Hirigoyen, 1998)


 

7. Fase de destruição

Essa fase ocorre quando o entorno não consegue proteger as vítimas e permite que as dinâmicas de descrédito e culpabilização continuem. Se apesar da falta de apoio no entorno, as vítimas decidem resistir, a pressão aumentará. Nas palavras de Hirigoyen (1998), quando as vítimas começam a dar nome aos bois, elas se tornam perigosas para o assediador e devem ser feitas pressões de todas as formas possíveis para silenciá-las. 

 

As vítimas, então, recebem mensagens de pessoas do seu entorno que as responsabilizam pelo problema, interpretam o conflito como interpessoal, acusam a vítima de difamação e a fazem acreditar que todos estão contra ela. Pessoas amigas podem falar: "Não é possível que todo mundo esteja errando menos você" ou "Você buscou o seu isolamento”.

 

Nesse momento, elas começam a perder seus mecanismos de afronta, defesa e luta. Sua personalidade muda. Seus comportamentos mudam, perde sua espontaneidade, se torna mais desconfiada, irritável e agressiva. Essa irritabilidade e agressividade será usada para aumentar o descrédito e a culpabilização.

 

“No dia do aniversário, Laura, a irmã mais nova, foi a casa dela para lhe levar um presente e Nevenka, que estava extremamente irritada, atirou-o ao chão. _O presente que eu quero é que vocês me entendam! _Ela disse.” (El caso de Nevenka Fernández contra la realidad, Millás, 2004).

 

Enquanto isso, tudo parece estar cheio de espectadores silenciosos que sabem o que está acontecendo, mas que não querem problemas. Este cenário leva as vítimas a um processo de introjeção de culpa e isolamento.

 

Quando essa situação é atingida, as vítimas podem estar somatizando o problema há tempos e sua saúde física e psicológica se deteriora rapidamente. No início, elas podem desenvolver um transtorno de estresse agudo (TEA) com processos de evitação de pessoas, conversas, lugares, pensamentos, etc. A tensão geral no corpo leva à fadiga extrema, sensação de desesperança, agitação intensa e uma sensação contínua de alerta. Quando o processo se prolonga, o cérebro não aguenta tanta pressão e o hormônio da depressão é ativado funcionando como um mecanismo de sobrevivência. Se não fosse ativado ocorreria uma falha generalizada no organismo. Nesta fase existem vítimas que se colocam em situações de perigo físico, é comum ocorrerem acidentes de viação, quedas, etc. Outros tentam ou cometem suicídio.

 

“Todo o seu esforço ia dirigido a não pensar, porque quando pensou em como chegou àquela situação, enlouqueceu. (...) A falta de concentração era tanta que tinha que ler o mesmo parágrafo dez vezes ”(Millás, 2004).

 

8. Fase de exclusão e auto-exclusão

Também chamada de fase de marginalização ou abandono. As vítimas desaparecem de seu círculo social, trabalho, escola, círculo acadêmico, cidade, etc. Essa exclusão não só é motivada pelas dinâmicas de descredito e culpabilização mas também pelo desejo de autoproteção. 

 

9. Fase de recuperação ou cronificação da enfermidade 

Em alguns casos, as pessoas conseguem recuperar a saúde mental, em outros casos os sintomas podem se cronificar. De qualquer jeito, recomenda-se permanecer vigilante e não abrir espaços para oportunidades de revitimização. 

 

Segundo as pesquisas, os instigadores costumam desenvolver intensos processos de transferência nos quais se convencem de que as vítimas são obcecadas por eles quando, na verdade, são eles quem são incapazes de soltar a presa. O objetivo principal das vítimas costuma ser esquecer o mais rápido possível os fatos acontecidos, esquecer o instigador e seus colaboradores, e resgatar sua vida e sua identidade:

 

“As vítimas quase nunca exigem vingança. Acima de tudo, elas pedem que tudo o que suportaram seja reconhecido, mesmo que uma injustiça nunca possa ser reparada completamente. Na empresa, o reparo envolve indenização econômica que, em todo caso, não é suficiente para compensar o sofrimento vivido. (...) Se há arrependimento, sempre vem de terceiras pessoas: aquelas que foram testemunhas silenciosas ou aquelas que foram cúmplices da agressão. Somente elas podem expressar seu pesar e, com isso, restaurar sua dignidade (Hirigoyen, 1998).

Uma das coisas que mais ajuda as vítimas de assédio moral a superar o trauma é a formação de uma narrativa coerente que pode conter lacunas, silêncios, tensões, mas que seja verdadeira o suficiente para ajudar a superar o peso do trauma e os efeitos do gaslighting.