A escusa usada ate hoje por Indianare Siqueira para dar golpe na Casa Nuvem foi a de uma suposta negligencia das pessoas da Nuvem perante uma agressão transfobica acontecida na noite do dia 5 de fevereiro de 2016, na primeira festa do Carnaval na Casa. Até hoje, ninguém sabe qual foi exatamente a agressão transfóbica ocorrida. O que sim sabemos é que:

 

  • Houve uma briga entre duas mulheres trans que frequentavam a Casa Nuvem e um homem desconhecido. Na briga, uma das mulheres se feriu na mão ao quebrar a garrafa que usou para rasgar as costas do suposto agressor. A briga - e a sangue do corte  - foi usada para no dia seguinte publicar nas redes sociais a campanha de escracho e boicote “Sangue nas Nuvens” (ver video abaixo).

  • A campanha “Sangue nas Nuvens” foi o momento onde as pessoas que formavam o núcleo de gestão da Nuvem tiveram certeza de que a Nuvem nunca conseguiria sobreviver ao ataque de Indianare. Não tinham capacidade de reagir como coletivo ao linchamento virtual, existia o medo de que outras agressões físicas se produzissem e a Casa Nuvem dependia do sucesso do bar para se manter financeiramente. Quem  iria gerir as próximas festas sob ameaça de boicote, escrachos e outras provocações? Que outras agressões mais ou menos “espontâneas” aconteceriam? Como seria usada a reação a essas possíveis agressões? 

 

O “Sangue nas Nuvens” tinha como objetivo transmitir que aconteceu algo muito transfobicamente tranfobico nessa festa onde UMA mulher trans sofreu uma agressão que fez ela sangrar... e "a galera transfobica da Nuvem não esteve nem aí". Aí, a transfobia ficou gritando ate hoje na cabeça da galera que só lê manchete e já se forma uma opinião.

 

Na verdade, a historia foi um pouco diferente: uma festa cheia de militância LGBT onde o maior perigo que haveria perante uma agressão era o agressor ser linchado. Duas mulheres trans. Um homem desconhecido. Um ato de transfobia, ate agora nunca explicado, do cara às duas mulheres trans. Uma agressão física das duas mulheres trans ao cara, primeiramente com socos, e depois ferindo as costas com uma garrafa quebrada enquanto ele tentava fugir. Pessoas da Nuvem levando a mulher que tinha se cortado a mão com a garrafa no primeiro andar e tentando durante 20 minutos que tampara a ferida, levando ela à UPA e depois voltando com ela para a festa da Casa Nuvem. Outras pessoas da Nuvem indo tentar pegar o cara para levar ele ao hospital sem conseguir. Não houve negligência.

 

O boicote e o escracho não foram uma reação contra a transfobia e sim mais um ataque de Indianare à Casa Nuvem com o intuito de desestabilizar o grupo e se apropriar do espaço. De fato, poucos dias antes do golpe durante o Carnaval recebemos alguns mensagens (ver  Whatsapp da Nuvem) que expressavam o desejo de Indianare de se apropriar do espaço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Num clima de profundo abatimento e impotência, o grupo decidiu fechar o bar da Nuvem e ficou “tentando entender como lidar com a situação”. Enquanto isso, Indianare e outras mulheres começaram a morar na casa. A gente não soube como reagir. Pouco depois, Indianare anunciava o nascimento da Casa Nem. Informação mais detalhada sobre o golpe aqui.

Abaixo video publicado no fbk por Indianare denunciando an Casa Nuvem. Na casa um dos principais espaços LGBTI da cidade, "A purpurina  virou sangue" e, ao consumir no bar da Casa Nuvem durante o Carnaval, o pessoal estaría sendo "conivente com transfobia, homofobia, racismo, machismo e misóginia, além do silenciamento das vítimas".

Uma das pessoas que foi da Casa Nuvem e depois da Casa Nem e que cuidaram da ferida da mulher trans conta os detalhes neste trecho de uma entrevista:

No dia 15 de abril de 2019 recebemos o relatório da Comissão de Ética do PSOL que recomendava a expulsão de Indianare Siqueira do partido, no relatório aparece o testemunho da mulher trans e, finalmente, soubemos qual foi a transfobia acontecida. Segue abaixo seu depoimento.