O Ateliê Dissidências Criativas, aka Dissidências, era um espaço autônomo de agitação política cultural. Acontecia semanalmente na Casa Nuvem, reunindo artistas, ativistas, movimentos sociais, acadêmicos, grupos e indivíduos que compartilham o tesão de debater e intervir na cidade.

 

Atuando entre arte e política, saber e ação, o Dissidências promoveu, acima de tudo, a troca criativa entre seus frequentadores, um território de politização que ia para além das ideologias. Neste cenário, corpo, mente, ação, debate, humor e afeto eram combustíveis para uma crítica social iconoclasta com o Rio de Janeiro como palco, colocando corpos na rua e a imaginação radical como transformadores da cidade e do nosso cotidiano.

 

Explorando novas formas de linguagem, entre a polifonia de razões e emoções, misturamos pessoal e político, teoria e ação, seriedade e irreverência, meios e fins, trabalho e prazer. Compartilhamos técnicas, saberes e fluidos, o Dissidências era um espaço coletivo que debatia e experimentava a arte da ação, construia na realidade do aqui e agora.

 

O processo se alimentava e alimenta movimentos sociais, propondo dissidências e fugindo dos ultrapassados rituais de protesto. Acreditamos na potência do afeto indiscriminado como ferramenta de contaminação política. Neste espaço de desorientação, todo desvio era bem vindo.